Em entrevista exclusiva com dois especialistas do setor, César Brito, CIO da Holambra Cooperativa Agroindustrial, e Luiz Fabiano Mendes, Diretor de Agronegócios na SEIDOR Brasil, discutimos como a inovação, a integração de sistemas e a transformação digital estão moldando o futuro do agro.
A Transformação do Agro: De Digitalização para Agro 5.0
O termo “Agro 5.0“ refere-se a uma mudança significativa no modo como as tecnologias estão sendo aplicadas no setor, indo além da simples digitalização. Para Luiz Fabiano (LF), a diferença está na integração inteligente de dados e tecnologias, criando um ecossistema colaborativo que vai desde o campo até a comercialização dos produtos. Ele explica: “O Agro 5.0 representa um salto de uma digitalização básica para um modelo inteligente e orientado a dados em tempo real, orquestrando tecnologias para tomar decisões mais impactantes nos níveis produtivo, logístico e comercial.”
César Brito, por sua vez, compartilha sua visão sobre as mudanças recentes: “O Agro 5.0 trouxe a essência que faltava para um movimento mais disruptivo e assertivo. Agora, não se trata mais de apostas, mas de decisões baseadas em dados, inteligência e automação em tempo real.”
Desafios na Integração de Sistemas e Dados
Embora as tecnologias já estejam presentes no setor, a integração entre os sistemas, dados e operações ainda é um grande desafio. LF aponta que o legado de sistemas antigos, a baixa conectividade no campo e a falta de governança de dados dificultam uma integração mais eficiente entre os diferentes elos da cadeia agroindustrial. “Os gargalos incluem sistemas não padronizados, restrições de conectividade e a ausência de integração entre o ERP e outras plataformas, e o conhecimento de negócio para uma melhor sinergia, frente a estas dificuldades,” explica.
Brito complementa que, além dos problemas técnicos, há também uma dificuldade cultural: “A diversidade da cadeia e os diferentes interesses de cada elo dificultam a conexão entre produtores, indústria e cooperativas. Isso se agrava em empresas familiares ou em processo de profissionalização, onde a dificuldade de integrar todas as partes é ainda maior.”
A Evolução do ERP: Flexibilidade para o Agro 5.0
Com o avanço do Agro 5.0, o ERP (Enterprise Resource Planning) continua sendo essencial, mas precisa evoluir para atender às novas demandas de flexibilidade e integração. LF vê o ERP como um “conector” entre dados operacionais e a visão estratégica da empresa, destacando que ele deve ser “modular, API-first e cloud-ready“ para suportar novas tecnologias de forma eficiente. Para Brito, o ERP deve continuar no centro, mas sem ser a solução única. “Não podemos exigir que o ERP seja o protagonista de tudo. Ele deve se comunicar bem com outros sistemas especializados e simples, o que pode gerar grandes resultados para a empresa,” enfatiza.
A Protagonismo da TI no Agro
O papel da TI também está mudando. De suporte operacional, a TI passa a ser uma área estratégica, responsável pela definição da arquitetura de dados, pela governança e pela integração das operações. LF destaca que a TI deve ser uma “parceira das áreas produtivas e comerciais, garantindo segurança, rastreabilidade e previsibilidade”.
Brito concorda e amplia a visão: “A TI deixou de ser reativa e agora é consultiva. Ela influencia o negócio e ajuda a moldar tendências, além de garantir a segurança e continuidade operacional.”
Governança de TI: O Caminho para a Eficiência
A governança de TI também tem ganhado destaque, especialmente em um contexto de aumento de dados, automação e decisões em tempo real. LF sugere que a governança deve ser centrada no mapeamento dos processos críticos, na definição de KPIs ligados a valor real e em ciclos curtos de entrega, evitando projetos longos sem resultados tangíveis. Principalmente, fazendo uso das melhores práticas de negócios, sempre que possível.
Brito acrescenta que é importante alinhar o planejamento estratégico de TI com os objetivos de negócios, buscando sempre entregar resultados rápidos e claros. “A prioridade deve ser a entrega de valor real, não o aumento da complexidade operacional,” afirma.
Segurança Cibernética e Riscos no Agro
Em um ambiente cada vez mais digitalizado, os riscos cibernéticos se tornam uma preocupação central. LF alerta sobre os riscos de ataques cibernéticos que podem paralisar a cadeia produtiva e a dependência de fornecedores sem governança clara. “A segurança deve ser promovida com base na confiança. Não podemos mais autorizar acessos sem medir o risco e o impacto,” diz Mendes.
Brito, por sua vez, destaca que a TI deve ter um modelo de governança que adote o conceito de “zero trust”, onde nada ou ninguém é confiável sem antes ser verificado. “A cultura de segurança cibernética precisa ser disseminada, capacitando todos os envolvidos e criando controles rigorosos para proteger as operações,” enfatiza.
Conselhos para CIOs e Líderes do Agro
Por fim, ambos os especialistas oferecem conselhos valiosos para os líderes de TI e CIOs do setor agroindustrial. LF sugere começar pelo básico, com a implementação de processos bem-feitos e a adoção de uma arquitetura tecnológica sólida. “A inovação deve ser vista como um projeto de negócio, não apenas de TI,” afirma.
Brito completa com um conselho mais prático: “Estabeleçam um plano de trabalho gradual, conheçam as fraquezas e qualidades da empresa e invistam em testes e experiências. A inovação no agro é uma jornada que exige paciência e adaptação.”
Fonte: Itshow
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